Bela Flor


E é como se toda a delicadeza do mundo tivesse ido parar na ponta dos meus dedos. Estes acabam sendo guiados por um cuidado estonteante que, no mesmo segundo em que pensa infinitas vezes antes de te tocar, é dilacerado pelo paradoxo de uma vontade insana de me jogar em você até nos diluirmos por entre nossas mãos. É a encantadora beleza dos finos traços, tão doces, quase imperceptíveis a olho nu. É a sutileza dos detalhes indispensáveis.

É preciso chegar mais perto, cerrar os olhos para perceber cada canto. Tanto encanto cega e meu chão se esvai. Flutuo por entre teus cachos e respiro pólen. Me mantenho a 5 palmos do chão, deixando ser levada pela brisa que sai da tua boca. E o único motivo pelo qual forço a me manter no alto sem me deixar render à gravidade, é o medo de me jogar em forma de abraço e amassar tuas pétalas ao cair.

De se entregar



Teus pés gigantes
Que ainda assim fogem da terra
Se forçam pra se manter
afastados do chão
Achando que são fortes o suficiente
pra te manter no passado.

Te digo que não.
É perda de tempo
Teu e meu.
Desperdício de destino.

Não sou eu
quem vai te segurar pelos ombros
Te fazer sentar no chão
Pra enxergar a vida.

Você tava ocupado demais olhando pras estrelas
do teu teto rebaixado
Me fazendo assim olhar pro chão
pra não escorregar.
Não deu pra me entregar

Preferi sair à francesa
Do mesmo jeito que entrei
Confesso meu fracasso
Assumo minha fraqueza.

Um beijo.

05:43 – 21 de julho de 2009